
Demonized Legion (quem disse que em Campina Grande só tem forró?!)
Campina Grande sempre foi uma referência nacional a nível de Metal. Não sei o que influencia, de fato, para que esse tipo de cena aqui seja tão forte. Enquanto João Pessoa possui uma abertura muito grande para bandas de rock n´roll e Hard core, em Campina a coisa é mais from hell. Prova disso foram shows aqui da lendária banda Sepultura e da Iconoclasm, da Suécia. Eu acho o pessoal daqui bem mais sincero nas coisas que organizam. Trazer essas bandas de fora sempre é garantia de casa cheia, de gente vestida a cárater e de muito barulho.
No dia 04 desse mês, aconteceu mais uma vez um show histórico desses. Tocaram no Clube Ypiranga, lendária casa de shows da cidade que teve seus tempos de glória e que hoje funciona como uma espécie de "inferninho", a banda local Demonized Legion, e baiana Headhunter DC, a mexicana Strike Master e os norte-americanos da Omena; uma espécie de resposta yanke ao Iron Maiden, que ficou obscura demais. Geralmente, os shows de CAmpina Grande possuem uma cadência: quando a coisa não é muito light, beirando ao regional e a MPB, é brutal e extrema, beirando ao black metal. Me surpreendeu muito que nessa noite, tocaram bandas de estilos bem variados, do Black, do Trash ao Heavy Metal. Creio que o caminho é esse: diversificar, para que esses encontros ganhem ares de mini-festivais de metal, com espaço para várias sonoridades dentro da linha a que o evento se propõe a divulgar.

Headhunter DC da Bahia (E pensar que aqui só dava Chiclete com Banana...)
O som que eu mais gostei foi a dos mexicanos da Strike Master... contam as más línguas que levaram os caras da banda logo cedo para tomarem cachaça no mercado central de Campina e, de fato, a noite o vocalista da banda estava tão passado que estava quase falando português, nos intervalos das músicas. São uns caras novinhos, mas com muita pegada no som que fazem. Me lembrei bastanbte de bandas de trash clássicas como Kreator, Destruction e Sepultura, quando vi a perfomancer deles. Teve até direito a um cover do Motorhead, da música Ace of Spades em versão trash. Pura loucura. Os caras dos States, da Omen, aparentaram serem bastante gente boa. O Kenny Powell, guitarrista, estava sendo alvo de constantes abordagens para fotos e conversas mímicas, já que no Brasil a galera é gente boa, mas a educação é uma merda e aí não se tem como muitos headbangers conversarem com seus ícones em inglês. Mas tudo bem... o que vale é a intenção.

Strike Master, direto do México, sem gripe suína.
Que o pessoal da Hell Noise Produções continue com essas articulações que, longe de visarem alguma forma de lucro, favorecem essa cidade a se afirmar como um pólo nacional para esse tipo de música. Acima de tudo, esses shows acontecem aqui porque existem pessoas seriamente comprometidas com a música que gostam de escutar e com o que se pode chamar de cena underground. Isso é bacana de se ver, sempre. Sem falar que, nesses shows, sempre a gente encontra grandes amigos para colocarmos os papos em dia, enquanto rola um barulhão de trilha sonora e tudo muito regado a uma boa cerva gelada. Salut!

Omen, dos EUA: literalmente, banda de macho.






